sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

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Texto utilizado no curso Leitura e Produção de Textos - COGEAE-PUC/SP
TEXTO PARA ESTUDO I[1]


Os dois garotos correram até a entrada da casa. “Veja, eu disse a você que hoje era um bom dia para brincar aqui”, disse Eduardo. “Mamãe nunca está em casa na quinta-feira”, ele acrescentou. Altos arbustos escondiam a entrada da casa; os meninos podiam correr no jardim extremamente bem cuidado. “Eu não sabia que a sua casa era tão grande”, disse Marcos. “É, mas ela está mais bonita agora, desde que meu pai mandou revestir com pedras essa parece lateral e colocou uma lareira”. Havia portas na frente e atrás, e uma porta lateral que levava à garagem, que estava vazia, exceto pelas três bicicletas com marcha guardadas ali. Eles entraram pela porta lateral; Eduardo explicou que ela ficava sempre aberta para suas irmãs mais novas entrarem e saírem sem dificuldade.
Marcos queria ver a casa, então, Eduardo começou a mostrá-la pela sala de estar. Estava recém-pintada, como o resto do primeiro andar. Eduardo ligou o som: o barulho preocupou Marcos. “Não se preocupe, a casa mais próxima está a meio quilômetro daqui”, gritou Eduardo. Marcos se sentiu mais confortável ao observar que nenhuma casa podia ser vista em qualquer direção além do enorme jardim.
A sala de jantar, com toda a porcelana, prata e cristais, não era lugar para brincar: os garotos foram para a cozinha onde fizeram um lanche.
Eduardo disse que não era para usar o lavabo porque ele ficara úmido e mofado, uma vez que o encanamento arrebentara.
“Aqui é onde meu pai guarda suas coleções de selos e moedas raras”, disse Eduardo enquanto eles davam uma olhada no escritório. Além do escritório, havia três quartos no andar superior da casa.
Eduardo mostrou a Marcos o closet de sua mãe cheio de roupas e o cofre trancado onde havia joias. O quarto de suas irmãs não era tão interessante exceto pela televisão com o Atari. Eduardo comentou que o melhor de tudo era que o banheiro do corredor era seu desde que um outro foi construído no quarto de suas irmãs. Não era tão bonito como o de seus pais, que estava revestido de mármore, mas para ele era a melhor coisa do mundo.

Proposta de Atividade (para uma reflexão sobre “leitura com / sem objetivo claro”):
1. Individualmente, ler o Texto para Estudo I, a partir das seguintes orientações:
a)      Grupo 1: ler o texto e, depois, anotar tudo o que puder se lembrar que for interessante para um ladrão que estivesse planejando assaltar a casa;
b)      Grupo 2: ler o texto e, depois, anotar tudo o que puder se lembrar que for interessante para uma pessoa que estivesse planejando comprar a casa;
c)      Grupo 3: ler o texto e, depois, anotar tudo o que puder se lembrar.
É importante que os alunos não saibam que as orientações propostas são diferentes.
2. Apresentar as anotações feitas por cada um dos grupos para o restante da classe.
3. Refletir sobre as razões que podem ter provocado anotações tão diferentes, considerando-se que o texto de leitura era o mesmo.





[1] In KLEIMAN, Ângela. Texto e Leitor. Aspectos cognitivos da leitura. Campinas (SP): Pontes, 1989, p. 31-32 (traduzido e adaptado de Pitchert, J. & Anderson, R. Taking different perspectives on a story. Journal of Educational Psychology, 1977, 69).

2 comentários:

Smareis disse...

Esse texto é muito lindo, me faz voltar a infância e lembrar que criança precisa de passar por suas fases. Coisas que hoje não se faz mais. Parabéns pelo texto! Um abraço!

Kelly Christi disse...

seu blog é muito bom, tem me ajudado em pesquisas minhas, em iniciação, viu? vc tem ideias otimas, abraço, se quiser visite meu blog, ele é literário:

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